Liberdade

Écrit par Angelina Caussé. Publié dans Séquences

O poder da liberdade

Encontro entre uma escultura de Seward Johnson, umas leis edictadas por Daniel Pennac e um poema de Fernando Pessoa para tentar responder às perguntas : Ler ou não ler ? Estudar ou não estudar ? Escolher a liberdade ou dar-se a liberdade de escolher...? E que liberdade para o poeta ... ?

  • Direitos inalienáveis do leitor

    1. O direito de não ler.
    2. O direito de saltar páginas.
    3. O direito de não acabar um livro.
    4. O direito de reler.
    5. O direito de ler não importa o quê.
    6. O direito de amar os “heróis” dos romances.
    7. O direito de ler não importa onde.
    8. O direito de saltar de livro em livro.
    9. O direito de ler em voz alta.
    10. O direito de não falar do que se leu.

    Daniel Pennac – in Como um romance, Edições Asa, 2001 p. 139

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    Direitos inalienáveis do leitor

    1. O direito de não ........................ .
    2. O direito de saltar ........................ .
    3. O direito de não acabar um ........................ .
    4. O direito de ........................ .
    5. O direito de ler ........................ importa o quê.
    6. O direito de amar os “........................ ” dos romances.
    7. O direito de ler não importa ........................ .
    8. O direito de ........................ de livro em livro.
    9. O direito de ler em ........................ alta.
    10. O direito de não ........................ do que se leu.

    Daniel Pennac – in Como um romance, Edições Asa, 2001 p. 139

  • Fonte : Gravação, voz e efeitos sonoros de José Luiz Nemes.

    Fonte : Na voz de João Villaret.

  • Um poema de Fernando Pessoa
    Liberdade 

    Liberdade
    Ai que prazer
    Não cumprir um dever,
    Ter um livro para ler
    E não fazer!
    Ler é maçada,
    Estudar é nada.
    Sol doira
    Sem literatura
    O rio corre, bem ou mal,
    Sem edição original.
    E a brisa, essa,
    De tão naturalmente matinal,
    Como o tempo não tem pressa...

    Livros são papéis pintados com tinta.
    Estudar é uma coisa em que está indistinta
    A distinção entre nada e coisa nenhuma.

    Quanto é melhor, quanto há bruma,
    Esperar por D.Sebastião,
    Quer venha ou não!

    Grande é a poesia, a bondade e as danças...
    Mas o melhor do mundo são as crianças,

    Flores, música, o luar, e o sol, que peca
    Só quando, em vez de criar, seca.

    Mais que isto
    É Jesus Cristo,
    Que não sabia nada de finanças
    Nem consta que tivesse biblioteca...

     Fernando Pessoa, in "Cancioneiro
  • Surlignez, écoutez et mémorisez l'orthographe des mots suivants :

    Ler – Estudar – Saber

    o livro,   o jornal,  a revista                        → ler
    a edição, original, a tinta
    a literatura, a poesia, o cancioneiro
    a biblioteca
    o estudo
    o dever, a obrigação, a maçada                → ter que
    o saber, a transmissão                              → saber, transmitir
    a história,    a ideologia                             → analisar
    D.Sebastião - Sebastianismo
    a finança,    a referência

    Natureza – Arte – Mistérios

    o prazer, o gosto
    o sol, a brisa, matinal, a flor
    a bruma, o nevoeiro, o luar 
    a dança
    a música

    Útil – Inútil

    o bem, o mal
    a antítese, a oposição
    o tempo, a pressa
    o nada, a inutilidade
    a bondade
    o desejo, a vontade, a liberdade de...

    o poeta
    a Natureza
    a espiritualidade
    o sentimento
    a aprendizagem
    a criança

    a ironia
    a mensagem

    Verbos

    ler
    ter que
    cumprir
    fazer
    estudar
    esperar
    pecar
    criar
    secar

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    1. Questions sur la poésie

    Perguntas sobre a poesia Liberdade

    1. Quais são os dois grandes temas antitéticos no poema?

    2. a) Dê uma breve definição da palavra “dever”.
        b) A que tipo de atividades é ligada a noção de “dever” no poema ?
        c) Que palavras do poema são associadas à ideia de “dever” ?

    3. a) Dê uma definição da palavra “prazer”.
        b) A que atividades ou estados é ligada a noção de “prazer” ?
        c) Que palavras do poema são associadas à ideia de “prazer” ?

    4. a) Que pessoas costumam considerar que : “ler é maçada” e “estudar é nada” ?
        b) Explique e justifique a sua resposta citando uma palavra do texto.

    5. Quais são as outras ideias contraditórias que se encontram no poema ?
        Explique o paradoxo.

    6. Procure informações sobre D. Sebastião.
        a) Tente descobrir o significado escondido entre os três versos.
        b) Qual é o valor simbólico da palavra “bruma” ?
        c) A quem se refere : “Quer venha ou não !” ? Explique.

    7. Explique a simbólica do “pecado” do sol.

    8. O que vêm fazer as “finanças” nos últimos versos ?
        Do que é que fala realmente o poeta ?

    9. Fernando Pessoa evoca a ausência de biblioteca de Jesus Cristo.
          a) Que efeito produz a evocação final ?
          b) Qual é o valor das reticências que fecham a poesia ?

    10. Explique e justifique o título do poema.
     

    - Pistes pour les réponses

    Perguntas sobre a poesia  Pistas para responder

    1. Quais são os dois grandes temas antitéticos no poema?
         → O dever → o prazer (liberdade de não fazer)

    2. a) Dê uma breve definição da palavra “dever”.
        → Aquilo que é obrigatório fazer, necessidade

        b) A que tipo de atividades é ligada a noção de “dever” no poema ?
        → ler, aprender, estudar

        c) Que palavras do poema são associadas à ideia de “dever” ?
        → cumprir, maçada

    3. a) Dê uma definição da palavra “prazer”.
        → O que não é uma tarefa necessária → o que é agradável

        b) A que atividades ou estados é ligada a noção de “prazer” ?
        → as danças, a música, o “não fazer nada”

        c) Que palavras do poema são associadas à ideia de “prazer” ?
        → o rio, a brisa (não tem pressa), natural

    4. a) Que pessoas costumam considerar que : “ler é maçada” e “estudar é nada” ?
         → as crianças, os puros; as pessoas que não têm gosto para os estudos

        b) Explique e justifique a sua resposta citando uma palavra do texto.
         as crianças

    5. Quais são as outras ideias contraditórias que se encontram no poema ?
        Explique o paradoxo.
         → o bem e o mal. Ler ou estudar, a literatura... geralmente   →  bem

    6. Procure informações sobre D. Sebastião.
        a) Tente descobrir o significado escondido entre os três versos.
         → o mito do "Encoberto", o rei desaparecido, esperado; a fé de um povo

        b) Qual é o valor simbólico da palavra “bruma” ?
         → o véu, a vela que esconde, o mistérios (poesia – historia)

        c) A quem se refere : “Quer venha ou não !” ? Explique.
         → a crença desiludida numa ressurreição – desilusão mais geral, sobre a existência.
         Mitologia baseada sobre a espera / esperança

    7. Explique a simbólica do “pecado” do sol.
         → o sol que doira, cria (deixa crescer) ou seca (queima)

    8. O que vêm fazer as “finanças” nos últimos versos ?
        Do que é que fala realmente o poeta ?
         → finanças, estado, regime político. Salazar ?

    9. Fernando Pessoa evoca a ausência de biblioteca de Jesus Cristo.
         → exemplo de Cristo que pôde ser Cristo sem livros. Livros não passam de uma invenção humana, contra a natureza humana que aspira à liberdade

    a) Que efeito produz a evocação final ?
         → ironia, certa alforria

    b) Qual é o valor das reticências que fecham a poesia ?
         → um tempo para a reflexão, e para o que não foi dito, sobre a crença...

    10. Explique e justifique o título do poema.
         → A liberdade humana tem valor. Até à morte. O útil e o inútil – o que é vão porque tudo acaba em poeira. Afinal, a natureza humana deveria ser livre, ter o direito de escolher


     

    2. Questions sur les vidéos et tâche

    Perguntas e tarefa

    1. Qual das duas vídeos preferiu ? Porquê ?
    2. Procure e escolha fotos ou desenhos originais para ilustrar o poema.
    3. Grave a poesia.
    4. Elabore um diaporama ou um vídeo ilustrado e sonorizado sobre o poema Liberdade.

  • Fernando PessoaFernando Pessoa

    Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa no dia 13 de Junho de 1888 e faleceu em Lisboa no dia 30 de Novembro de 1935.
    Mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um imenso poeta e escritor português.
    É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa. Foi considerado o mais representativo poeta português do século XX. Viveu a maior parte da sua adolescência na África do Sul. Teve uma vida discreta. Foi jornalista, atuou na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura. Costumou desdobrar-se em várias outras personalidades conhecidas como « heterónimos ».   
    Pessoa escreveu os primeiros poemas em inglês a partir de 1901. Dos livros publicados em vida, apenas um foi escrito em português - “Mensagem”- que foi publicado em 1934.

    Na sua obra Mensagem, Fernando Pessoa faz uma interpretação sebastianista da História de Portugal, em busca de um patriotismo perdido. O poema reinterpreta a História de Portugal em função de uma ressurreição de um passado heróico ("é a Hora!").
    Trata-se de 44 poemas que criam uma mitologia sebastianista do passado histórico português.
    Diz-se que este passado revisitado foi mais tarde incorporado na ideologia da ditadura de Salazar, que foi Ministro das Finanças entre 1928 e 1932....

    Fonte : Educação-Globo - Um Fernando PessoaWikipédia

  • Pour aller plus loin...
    • Descobrir a obra  Mensagem, um poema que cria uma mitologia sebastianista do passado heroico de Portugal, e que foi depois largamente incorporada na ideologia oficial da ditadura de Salazar.
    • Uma analise do poema : http://www.umfernandopessoa.com/liberdade.html
    • Um video sobre um texto inedito de Fernando Pessoa sobre Fatima
    • Retrato de Fernando Pessoa feito por João Luiz Roth.
    • Portugalmania
    • Outros heterónimos ? Eis um verdadeiro laboratório de pseudónimos : Tecnologias da Linguagem : Alcofribas
  • Niveau B1 - Lire - 66


    Lire : Je peux comprendre des textes rédigés essentiellement dans une langue courante ou relative à mon travail. Je peux comprendre la description d’événements, l’expression de sentiments et de souhaits dans des poèmes ou lettres personnelles. (B1)
    [66] Je peux comprendre des textes clairs relatifs à mes centres d’intérêt.

    Niveau B1 - Ecrire - 85

    Écrire : Je peux écrire un texte simple et cohérent sur des sujets familiers ou qui m’intéressent personnellement. Je peux écrire des lettres personnelles pour décrire des expériences et des impressions. (B1)
    [85] Je peux brièvement justifier et expliquer mes opinions, mes projets et mes actes.

    Niveau B2 - S'exprimer oralement en continu - 107

    S'exprimer oralement en continu : Je peux m’exprimer de façon claire et détaillée sur une grande gamme de sujets relatifs à mes centres d’intérêt. Je peux développer un point de vue sur un sujet d’actualité et expliquer les avantages et les inconvénients de différentes possibilités. (B2)
    [107] Je peux brièvement donner les raisons et les explications de mes opinions, ou de mes projets.

    Introduction à la notion : Mythes et Héros 

    Le Sébastianisme ou le roi caché, le mythe de la décadence et de l’espoir

    «O Mito do Encoberto» traverse les siècles et renaît en période de crise.
    «O Sebastianismo é na sua origem, um refúgio da realidade cruel», (Antero de Quental).
    «Tão legítimo, tão clássico e português proverbial de... amanhã veremos», (Almeida Garrett).

    Pourquoi ce mythe est-il inséparable de la notion de survie et de redressement de la Nation ?
    Sous quelles formes ressurgit-il en période de crise ?

    Fernando Pessoa, Mensagem, 1934. Poèmes : «D. Sebastião, Rei de Portugal», «A Última Nau», «D.Sebastião», «O Quinto Império», «O Desejado», «O Encoberto», «O Bandarra», «António Vieira», «Nevoeiro».

 

 

Tags: Niveau B1 Histoire Littérature Poésie Sculpture Niveau B2 Notion : Lieux et formes de pouvoir

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