O Tejo é mais belo...

Écrit par Angelina Caussé. Publié dans Séquences

Felicidade na simplicidade... e no mistério

Cruzamento entre a poesia de Fernando Pessoa, o Fado e o rio Tejo : Tristeza - fatalidade ou felicidade da alma portuguesa ? Mito e mistérios ?...

  • Surlignez, écoutez et mémorisez l'orthographe des mots suivants :

    Ler – Estudar – Saber

    o Tejo,   o rio,  a aldeia                              → SER
    a água, o mar, a corrente                          → CORRER
    a Espanha, Portugal, Lisboa                      → DESCER
    a memória                                                  → ESTAR
    o navio,   a nau                                          → NAVEGAR
    o dever, a fortuna                                      → PERTENCER
    o saber, a posse                                        → SABER, FAZER
    alguém, ninguém,                                      → HAVER
    mais, menos
    maior, menor
    nunca, sempre

    Preposições

    para onde   
    donde         
    por - pelo    
    ao - em - da

    Arte e poesia

    o grande, o pequeno
    a antítese, a oposição
    o célebre, o desconhecido (encoberto)
    o nada, a inutilidade (vão, vã)
    a felicidade, a simplicidade
    o desejo, a vontade, a liberdade de...

    o poeta
    a Natureza
    a espiritualidade
    o sentimento
    a aprendizagem
    a simplicidade

    a ironia
    a mensagem

    Verbos

    ser
    estar
    haver
    fazer
    ter
    ir
    vir
    ver
    descer
    saber

  • O Tejo é mais belo

    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia.
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia.
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
    O Tejo tem grandes navios, e navega nele ainda,
    Para aqueles que vêem tudo o que lá não está,
    A memória das naus.
    O Tejo desce de Espanha, e o Tejo entra no mar em Portugal.
    Toda a gente sabe isso.
    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
    E para onde ele vai
    E donde ele vem.
    E por isso, porque pertence a menos gente,
    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
    Para além do Tejo há a América
    E a fortuna daqueles que a encontram.
    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.
    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.

     

    Fernando Pessoa - Alberto Caeiro – in Poemas de Alberto Caeiro
    O Guardador de rebanhos, Lisboa, Ática, 1946 p. 46
    Arquivos Pessoa

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    O Tejo é mais belo

    O Tejo é mais belo que o ................ que corre pela minha  ................ .
    Mas o Tejo  ................ é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia.
    Porque o Tejo não  ................  o rio que corre pela minha aldeia.
    O Tejo tem grandes  ................ , e navega nele ainda,
    Para aqueles que  ................ tudo o que lá não  ................ ,
    A memória das  ................ .
    O Tejo desce de Espanha, e o Tejo entra no  ................ em Portugal.
    Toda a gente sabe isso.
    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
    E  ................ onde ele vai
    E  ................ ele vem.
    E por isso, porque pertence a  ................ gente,
    É  ................ livre e  ................ o rio da minha aldeia.
    Pelo Tejo vai-se  ................ o Mundo.
    Para além do Tejo  ................ a América
    E a fortuna daqueles que a encontram.
     ................ nunca pensou no que há para  ................ 
    Do rio da minha aldeia.
    O rio da minha aldeia não  ................ pensar em nada.
    Quem está ao  ................ dele está  ................ ao pé dele.

     

  • Exercice de mémorisation et de conjugaison

     Fernando Pessoa,
    Estátua A Brasileira
    O Tejo é mais belo...,
    in "O Guardador de rebanhos

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    1. Questions sur la poésie

    Perguntas sobre a poesia O Tejo é mais belo...

    1. Qual é o paradoxo expresso no início do poema?

    2. a) A que tipo de "rios" se refere o poeta ?
        b) Porque é que o poeta compara os dois rios ?
        c) Quais serão as diferenças entre eles ?
        c) Dê uma breve definição da palavra “belo”. 

    3. a) Explique : "O Tejo tem grandes navios".
        b) Levante um sinónimo da palavra "navios" no poema.
        c) Cite uma palavra do poema associada à ideia de “passado” ?
        d) O que significa "a memória das naus" ?

    4. a) Explique a ideia contida na expressão do poema : “Toda a gente sabe isso” :
        b) Afinal, o que é que toda a gente sabe a propósito do Tejo ?
        c) O que é que o leitor sabe do "rio da (...) aldeia" ?
        d) O que é que o torna superior ao Tejo, ao ver do poeta ?

    5. De que cidade o Tejo é o rio ?
         a) Explique a "metonímia".
         b) O que é que, além dos dois rios, o poeta compara, no poema ?
         c) Qual é o valor simbólico da palavra “” no último verso?

    6. Procure informações sobre Fernando Pessoa e Alberto Caeiro.
        a) Tente descobrir o segredo dos dois nomes.
        b) Onde nasceu e viveu o poeta ?
        c) À luz da biografia do poeta, dê a sua própria interpretação da significação do poema que acabou de estudar.

    - Pistes pour les réponses

    Perguntas sobre a poesia   - Pistas para responder

    1. Qual é o paradoxo expresso no início do poema?
    → "é... mas não é" : contradição,oposição ilógica

    2. a) A que tipo de "rios" se refere o poeta ? 
    →  O Tejo, o rio que atravessa o país, a capital Lisboa, e que desemboca no mar, no oceano.

        b) Porque é que o poeta compara os dois rios ?
    → São antitéticos : um é o maior (geograficamente, culturalmente, historicamente...) ;
                                   enquanto o outro é um pequeno rio qualquer, sem nome nem história...


        c) Quais serão as diferenças entre eles ?
    → O tamanho, a celebridade que o torna comum porque sem mistério...
    → O enigma, o segredo, o mistério conhecido apenas pelos iniciados que o torna extraordinário..

        c) Dê uma breve definição da palavra “belo”. 
    → Que desperta sentimentos de admiração, de grandeza... por ser invulgar...

    3. a) Explique : "O Tejo tem grandes navios".                                     → tem e... teve... daqueles que fizeram história...
        b) Levante um sinónimo da palavra "navios" no poema.                → naus
        c) Cite uma palavra do poema associada à ideia de “passado” ?  → memória
        d) O que significa "a memória das naus" ?                                     → passado marítimo histórico e glorioso

    4. a) Explique a ideia contida na expressão do poema : “Toda a gente sabe isso” :
    → O facto de todos o conhecerem minimiza o valor do objeto deste conhecimento
        b) Afinal, o que é que toda a gente sabe a propósito do Tejo ?
    → Onde nasce, por onde corre, onde desemboca ; o comprimento e o tamanho...; a história a ele ligada
        c) O que é que o leitor sabe do "rio da (...) aldeia" ?                   → nada 
        d) O que é que o torna superior ao Tejo, ao ver do poeta ?
    → precisamente o completo mistério que o envolve, que pode até provocar uma cristalização comparável à do que é inatingível

    5. De que cidade o Tejo é o rio ?                     → Lisboa, a Capital portuguesa
         a) Explique a "metonímia".
    → Sendo o rio que banha a cidade de Lisboa, o Tejo significa a Capital, o lugar primordial do país
         b) O que é que, além dos dois rios, o poeta compara, no poema ?
    → A vida na luz, nos prazeres e no brilho de uma cidade maior, com a simplicidade e a pacatez da vida nas trevas do campo
         c) Qual é o valor simbólico da palavra “” no último verso?
    → "só" representa a solidão, o silêncio, a humildade e a paz filosófica de uma vida quase ascética no meio da pura natureza.

    6. Procure informações sobre Fernando Pessoa e Alberto Caeiro.
        a) Tente descobrir o segredo dos dois nomes. → os heterónimos, enigmáticos. Desejo ou necessidade de se esconder, multiplicando-se
        b) Onde nasceu e viveu o poeta ?                     → Em Lisboa. Mas viajou muito.
        c) À luz da biografia do poeta, dê a sua própria interpretação da significação do poema que acabou de estudar.
    → Livre ! ( Pesquisa da felicidade nas coisas simples, talvez...? Viver escondido para viver feliz...)

    2. Questions sur les vidéos et tâche

    Perguntas e tarefa

    1. Qual das vídeos preferiu ? Porquê ?
    2. Procure e escolha fotos ou desenhos originais para ilustrar os dois poemas.
    3. Grave a poesia "Mar português".
    4. Elabore um diaporama ou um vídeo original, ilustrado e sonorizado, sobre o poema Mar português.

  • Pessoa e Fado. Mar português, Helder Moutinho

    Fonte : Youtube

  • Mar português

    Ó mar salgado, quanto do teu sal
    São lágrimas de Portugal !
    Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
    Quantos filhos em vão rezaram !
    Quantas noivas ficaram por casar
    Para que fosses nosso, ó mar !
    Valeu a pena ? Tudo vale a pena
    Se a alma não é pequena.
    Quem quer passar além do Bojador
    Tem que passar além da dor.
    Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
    Mas nele é que espelhou o céu.

     

    Fernando Pessoa - Alberto Caeiro – in Poemas de Alberto Caeiro
    Mensagem. Mar português, Lisboa, Ática, 1972 p. 70
    Arquivos Pessoa

  • Fernando PessoaFernando Pessoa

    Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa no dia 13 de Junho de 1888 e faleceu em Lisboa no dia 30 de Novembro de 1935.
    Mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um imenso poeta e escritor português.
    É considerado um dos maiores poetas de língua portuguesa. Foi considerado o mais representativo poeta português do século XX. Viveu a maior parte da sua adolescência na África do Sul. Teve uma vida discreta. Foi jornalista, atuou na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura. Costumou desdobrar-se em várias outras personalidades conhecidas como « heterónimos ».   
    Pessoa escreveu os primeiros poemas em inglês a partir de 1901. Dos livros publicados em vida, apenas um foi escrito em português - “Mensagem”- que foi publicado em 1934.

    Na sua obra Mensagem, Fernando Pessoa faz uma interpretação sebastianista da História de Portugal, em busca de um patriotismo perdido. O poema reinterpreta a História de Portugal em função de uma ressurreição de um passado heróico ("é a Hora!").
    Trata-se de 44 poemas que criam uma mitologia sebastianista do passado histórico português.
    Diz-se que este passado revisitado foi mais tarde incorporado na ideologia da ditadura de Salazar, que foi Ministro das Finanças entre 1928 e 1932....

    Fonte : Educação-Globo - Fernando PessoaWikipédia

  • Pour aller plus loin...
  • Niveau B1 - Lire - 66


    Lire : Je peux comprendre des textes rédigés essentiellement dans une langue courante ou relative à mon travail. Je peux comprendre la description d’événements, l’expression de sentiments et de souhaits dans des poèmes ou lettres personnelles. (B1)
    [66] Je peux comprendre des textes clairs relatifs à mes centres d’intérêt.

    Niveau B1 - Ecrire - 85

    Écrire : Je peux écrire un texte simple et cohérent sur des sujets familiers ou qui m’intéressent personnellement. Je peux écrire des lettres personnelles pour décrire des expériences et des impressions. (B1)
    [85] Je peux brièvement justifier et expliquer mes opinions, mes projets et mes actes.

    Niveau B2 - S'exprimer oralement en continu - 107

    S'exprimer oralement en continu : Je peux m’exprimer de façon claire et détaillée sur une grande gamme de sujets relatifs à mes centres d’intérêt. Je peux développer un point de vue sur un sujet d’actualité et expliquer les avantages et les inconvénients de différentes possibilités. (B2)
    [107] Je peux brièvement donner les raisons et les explications de mes opinions, ou de mes projets.

    Introduction à la notion : Mythes et Héros 

    Le Sébastianisme ou le roi caché, le mythe de la décadence et de l’espoir

    «O Mito do Encoberto» traverse les siècles et renaît en période de crise.
    «O Sebastianismo é na sua origem, um refúgio da realidade cruel», (Antero de Quental).
    «Tão legítimo, tão clássico e português proverbial de... amanhã veremos», (Almeida Garrett).

    Pourquoi ce mythe est-il inséparable de la notion de survie et de redressement de la Nation ?
    Sous quelles formes ressurgit-il en période de crise ?

    Fernando Pessoa, Mensagem, 1934. Poèmes : «D. Sebastião, Rei de Portugal», «A Última Nau», «D.Sebastião», «O Quinto Império», «O Desejado», «O Encoberto», «O Bandarra», «António Vieira», «Nevoeiro».

 

T-pessoa.jpgFelicidade na simplicidade... e no mistério Cruzamento entre a poesia de Fernando Pessoa, o Fado e o rio Tejo : Tristeza - fatalidade ou felicidade da alma portuguesa ? Mito e mistérios ?... o Tejo, o rio, a aldeia → SER a água, o mar, a corrente → CORRER a Espanha, Portugal, Lisboa → DESCER a memória → ESTAR o navio, a nau → NAVEGAR o dever, a fortuna → PERTENCER o saber, a posse → SABER, FAZER alguém, ninguém, → HAVER mais, menos maior, menor nunca, sempre Preposições para onde donde por - pelo ao - em - da Arte e poesia o grande, o pequeno a antítese, a oposição o célebre, o desconhecido (encoberto) o nada, a inutilidade (vão, vã) a felicidade, a simplicidade o desejo, a vontade, a liberdade de... o poeta a Natureza a espiritualidade o sentimento a aprendizagem a simplicidade a ironia a mensagem Verbos ser estar haver fazer ter ir vir ver descer saber O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia. O Tejo tem grandes navios, e navega nele ainda, Para aqueles que vêem tudo o que lá não está, A memória das naus. O Tejo desce de Espanha, e o Tejo entra no mar em Portugal. Toda a gente sabe isso. Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia E para onde ele vai E donde ele vem. E por isso, porque pertence a menos gente, É mais livre e maior o rio da minha aldeia. Pelo Tejo vai-se para o Mundo. Para além do Tejo há a América E a fortuna daqueles que a encontram. Ninguém nunca pensou no que há para além Do rio da minha aldeia. O rio da minha aldeia não faz pensar em nada. Quem está ao pé dele está só ao pé dele. Fernando Pessoa - Alberto Caeiro – in Poemas de Alberto Caeiro O Guardador de rebanhos, Lisboa, Ática, 1946 p. 46 Arquivos Pessoa Mar português Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal ! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram ! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar ! Valeu a pena ? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Qual é o paradoxo expresso no início do poema? → "é... mas não é" : contradição,oposição ilógica 2. a) A que tipo de "rios" se refere o poeta ? → O Tejo, o rio que atravessa o país, a capital Lisboa, e que desemboca no mar, no oceano. b) Porque é que o poeta compara os dois rios ? → São antitéticos : um é o maior (geograficamente, culturalmente, historicamente...) ; enquanto o outro é um pequeno rio qualquer, sem nome nem história... c) Quais serão as diferenças entre eles ? → O tamanho, a celebridade que o torna comum porque sem mistério... → O enigma, o segredo, o mistério conhecido apenas pelos iniciados que o torna extraordinário.. c) Dê uma breve definição da palavra “belo”. → Que desperta sentimentos de admiração, de grandeza... por ser invulgar... 3. a) Explique : "O Tejo tem grandes navios". → tem e... teve... daqueles que fizeram história... b) Levante um sinónimo da palavra "navios" no poema. → naus c) Cite uma palavra do poema associada à ideia de “passado” ? → memória d) O que significa "a memória das naus" ? → passado marítimo histórico e glorioso 4. a) Explique a ideia contida na expressão do poema : “Toda a gente sabe isso” : → O facto de todos o conhecerem minimiza o valor do objeto deste conhecimento b) Afinal, o que é que toda a gente sabe a propósito do Tejo ? → Onde nasce, por onde corre, onde desemboca ; o comprimento e o tamanho...; a história a ele ligada c) O que é que o leitor sabe do "rio da (...) aldeia" ? → nada d) O que é que o torna superior ao Tejo, ao ver do poeta ? → precisamente o completo mistério que o envolve, que pode até provocar uma cristalização comparável à do que é inatingível 5. De que cidade o Tejo é o rio ? → Lisboa, a Capital portuguesa a) Explique a "metonímia". → Sendo o rio que banha a cidade de Lisboa, o Tejo significa a Capital, o lugar primordial do país b) O que é que, além dos dois rios, o poeta compara, no poema ? → A vida na luz, nos prazeres e no brilho de uma cidade maior, com a simplicidade e a pacatez da vida nas trevas do campo c) Qual é o valor simbólico da palavra “só” no último verso? → "só" representa a solidão, o silêncio, a humildade e a paz filosófica de uma vida quase ascética no meio da pura natureza. 6. Procure informações sobre Fernando Pessoa e Alberto Caeiro. a) Tente descobrir o segredo dos dois nomes. → os heterónimos, enigmáticos. Desejo ou necessidade de se esconder, multiplicando-se b) Onde nasceu e viveu o poeta ? → Em Lisboa. Mas viajou muito. c) À luz da biografia do poeta, dê a sua própria interpretação da significação do poema que acabou de estudar. → Livre ! ( Pesquisa da felicidade nas coisas simples, talvez...? Viver escondido para viver feliz...)

Tags: Niveau A1 Niveau A2 Niveau B1 Histoire Littérature Poésie Niveau B2 Notion : Mythes et héros Notion : Espaces et échanges

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