Cães, marinheiros

Écrit par Angelina Caussé. Publié dans Séquences

Um conto de Herberto Helder sobre a estimação, a amizade, a liberdade, a origem, a tristeza...

  • Vocabulário ilustrado

    o marinheiro
    a âncora
    a sala

    levantar-se

    o cão - a cadela - os cães
    a mesa - o copo - a jarra - o prato
    a ceia - a refeição

    sentar
    personificar
    jantar

    o boné - a boina
    o sono
    a mão

    tarde

    bocejar
    estar com sono

     

    a lareira
    o calor
    a almofada - a cama de cachorro - o colchão

    dirigir-se
    ir para

     

    a cama
    a noite
    o sapato

    tirar
    descalçar

    o conforto
    o cansaço

    dormir
    estender-se - deitar-se
    descansar
    dormir

     

     

     

     

     

     

  • Synopsis - Sinopse

    Um filme de animação

    Cães Marinheiros

    "Cães Marinheiros" conta a história de um casal de cães que possui um marinheiro para guardar o jardim.
    O casal procura a todo o custo manter o seu "marinheiro de estimação", o que vai necessitar afastá-lo o mais possível do mar...

    Inspirado do conto homónimo do poeta Herberto Hélder.

    Cães, marinheiros : Le début du film d'animation - O princípio do filme

    Fiche technique - Ficha técnica

    Título da curta-metragem de animação : Cães, marinheiros
    Género : Animação
    Realizadora : Joana Toste
    Pais : Portugal
    Produção : Filmógrafo, Estúdio de Cinema e Animação do Porto, Lda
    Roteiro : De um conto de Herberto Helder
    Ano : 2007
    Duração : 1:09 minutos (Extrato)
    Cor : Colorido

    Premiada por duas vezes no Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, CINANIMA 07, a curta também foi pré-selecionada para o Cartoon d'Or, em Bruxelas e esteve presente em vários festivais de cinema.


     

    Mort de Mário Quintana

    Vie et œuvre de Mário Quintana

    Crítica e fábula

    Ao inverter os papéis entre donos e animais de estimação, a curta desenvolve uma breve crítica ao tratamento a que estes últimos são sujeitos, ao mesmo tempo que transporta o espectador para esta espécie de fábula, onde cães dominam os seres humanos.

  • Descrever oralmente uma imagem do filme de animação « Cães, marinheiros ».

    Lightbox Image

     

  • Escute agora o texto e complete-o. 

     

    “Cães, marinheiros”

    Era um ......................... que tinha um  ......................... . O cão perguntou à esposa, que se pode fazer de um marinheiro? Põe-se de guarda ao jardim, respondeu ela. - Não se deve deixar um marinheiro à solta no jardim, que fica perto do mar. Um marinheiro é uma  ......................... derivada por sufixação, e pode recear-se o poder do elemento base: o radical  ......................... . Em vez de guardar o jardim, ele  ......................... por fugir para o mar. - Deixá-lo fugir, disse a esposa do cão. Mas ele não estava de acordo. Que um facto deveria ser esse mesmo facto até ao limite do  ......................... : quem possui um marinheiro para guardar o jardim deve procurar mantê-lo a todo o custo, assim como o cão, ou o casal de cães, que não tiver um marinheiro deve não tê-lo até a isso ser absolutamente forçado. - Nesse caso, só nos resta ir para uma terra do interior, longe do mar, disse a cadela. E então foram para o interior, levando pela trela o marinheiro açaimado. Durante o  ......................... viram muitas paisagens. O marinheiro estava  ......................... com as paisagens que podem existir longe do mar. Fez diversas observações a esse respeito, provocando o risonho  ......................... dos cães que, pela sua parte,  ......................... em que tinham um marinheiro muito  ......................... . - Nem todos os cães têm a nossa sorte, disse o cão, pois conheço vários cães que são donos de vários marinheiros  ......................... . Iam por isso bastante contentes e diziam, a outros cães com quem se  ......................... , que possuíam um marinheiro invulgarmente esperto. - Ele tem uma  ......................... das paisagens, dizia o cão. Um cão da Estrela, que encontraram naturalmente perto da Serra da Estrela, perguntou-lhes se o marinheiro gostava de sardinhas. - Adora-as, respondeu a cadela. - Isso não me admira nada, disse o  ......................... . E na verdade não parecia admirado. Quando chegaram ao mais interior possível,  ......................... uma casa com um jardim e puseram o marinheiro a guardá-lo. - Guarda-o,  ......................... . Deixaram-lhe ao lado uma dúzia de latas de sardinhas e foram para dentro de casa. Durante sete dias e sete noites, o marinheiro  ......................... sobre as paisagens do interior e comeu as  ......................... de conserva. Depois foi atacado de esgana, e  ......................... a andar em círculos cada vez mais apertados no meio do jardim. Os cães observavam-no da janela e viam que o seu marinheiro perdia as forças a cada volta. Um dia, ao anoitecer, caiu para o lado resfolegando. - O mar,  ......................... -no dizer. Então foram para dentro, e  ......................... . De manhã vieram cedo ao jardim e  ......................... que o marinheiro estava morto. - Era um marinheiro tão esperto, disse a cadela. - Pois era, disse o cão, foi pena. E  ......................... o marinheiro debaixo de uma acácia. Mas como já se  ......................... habituado à vida do interior, não regressaram ao litoral. Nunca mais tiveram marinheiros. - Para quê?, dizia a cadela, ralações já  ......................... de sobra. E quem se atreve a negar que ela tinha  ......................... ?

  • Lire le conte

    Cães, marinheiros

    Era um cão que tinha um marinheiro. O cão perguntou à esposa, que se pode fazer de um marinheiro? Põe-se de guarda ao jardim, respondeu ela. - Não se deve deixar um marinheiro à solta no jardim, que fica perto do mar. Um marinheiro é uma criatura derivada por sufixação, e pode recear-se o poder do elemento base: o radical mar. Em vez de guardar o jardim, ele acabaria por fugir para o mar. - Deixá-lo fugir, disse a esposa do cão. Mas ele não estava de acordo. Que um facto deveria ser esse mesmo facto até ao limite do possível: quem possui um marinheiro para guardar o jardim deve procurar mantê-lo a todo o custo, assim como o cão, ou o casal de cães, que não tiver um marinheiro deve não tê-lo até a isso ser absolutamente forçado. - Nesse caso, só nos resta ir para uma terra do interior, longe do mar, disse a cadela. E então foram para o interior, levando pela trela o marinheiro açaimado1. Durante o percurso viram muitas paisagens. O marinheiro estava espantado com as paisagens que podem existir longe do mar. Fez diversas observações a esse respeito, provocando o risonho latido dos cães que, pela sua parte, concordavam em que tinham um marinheiro muito inteligente. - Nem todos os cães têm a nossa sorte, disse o cão, pois conheço vários cães que são donos de vários marinheiros estúpidos. Iam por isso bastante contentes e diziam, a outros cães com quem se cruzavam, que possuíam um marinheiro invulgarmente esperto. - Ele tem uma filosofia das paisagens, dizia o cão. Um cão da Estrela, que encontraram naturalmente perto da Serra da Estrela, perguntou-lhes se o marinheiro gostava de sardinhas. - Adora-as, respondeu a cadela. - Isso não me admira nada, disse o indígena. E na verdade não parecia admirado. Quando chegaram ao mais interior possível, alugaram uma casa com um jardim e puseram o marinheiro a guardá-lo. - Guarda-o, disseram. Deixaram-lhe ao lado uma dúzia de latas de sardinhas e foram para dentro de casa. Durante sete dias e sete noites, o marinheiro reflectiu sobre as paisagens do interior e comeu as sardinhas de conserva. Depois foi atacado de esgana2, e começou a andar em círculos cada vez mais apertados no meio do jardim. Os cães observavam-no da janela e viam que o seu marinheiro perdia as forças a cada volta. Um dia, ao anoitecer, caiu para o lado resfolegando. - O mar, ouviram-no dizer. Então foram para dentro, e dormiram. De manhã vieram cedo ao jardim e verificaram que o marinheiro estava morto. - Era um marinheiro tão esperto, disse a cadela. - Pois era, disse o cão, foi pena. E enterraram o marinheiro debaixo de uma acácia. Mas como já se haviam habituado à vida do interior, não regressaram ao litoral. Nunca mais tiveram marinheiros. - Para quê?, dizia a cadela, ralações já existem de sobra. E quem se atreve a negar que ela tinha razão? 

    Herberto Helder
    (Os Passos em Volta)

  • Écouter en lisant

    Relisez le texte en l'écoutant, déclamé par un étudiant brésilien.

    Repérez et notez les différences entre le texte écrit et le texte dit.

    " Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade. Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau ; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.
    Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras."

    por Mário Quintana.

  • Exercices de réécriture et de traduction

    Réécriture - Conjugaison

    Conjugaison / Pronoms sujets et pronoms compléments  

    1. Transcrire l’autoportrait :
         - à la 2ème personne du singulier.
         - à la 3ème personne du singulier.

     

    Traduction

    Emploi ou omission des pronoms personnels sujets  

    2. Traduire 1, 2, 3 ou 4 des paragraphes du texte. Emploi ou omission des pronoms personnels sujets

    " Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

    Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau ; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.

    Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?

    Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras."

    por Mário Quintana.

     

  • Exercice de conjugaison n°1 - L'imparfait  (Pretérito imperfeito)

  • Exercice de conjugaison n°2 - Le passé simple (Pretérito perfeito)

  • Exercice de conjugaison n°3 - Le présent (Presente)

  • Questions

    Responda às perguntas seguintes :

    1. O que é que tinham os cães ?
    2. Explique o estranho da situação ? É uma situação realista ?
    3. O que é que o cão perguntou à esposa ?
    4. Que respondeu a esposa ?
    5. Porque é que não se deve deixar um marinheiro à solta no jardim perto do mar ?
    6. O cão estava de acordo ? 
    7. Onde é que viviam ?
    8. Que sugeria a cadela ?
    9. Por que é que é estranho ?
    10. Como levaram o marinheiro ?
    11. Quem é que encontraram no caminho ? 
    12. Qual era a particularidade do marinheiro ?
    13. O que é que acabou por acontecer ao marinheiro ?
    14. Que decidiram então os donos ? Porquê ?
    15. Quem diz : "...tinha razão" ? 
    16. A que género literário se aparenta o conto ? Porquê ?

    - Pistes pour les réponses

    1. O que é que tinham os cães ?
    → um marinheiro
    2. Explique o estranho da situação ? É uma situação realista ?
    → a inversão dos papéis habituais e naturais. É "surrealista", ou absurda.
    3. O que é que o cão perguntou à esposa ?
    → ... O que é que se podia fazer de um marinheiro
    4. Que respondeu a esposa ?
    → ...que se punha de guarda ao jardim
    5. Porque é que não se deve deixar um marinheiro à solta no jardim perto do mar ?
    → ...acabaria por fugir para o mar
    6. Que disse a esposa ? O cão estava de acordo ? 
    → Que o deixasse fugir. O cão não concordou.
    Disse que quem possuisse um marinheiro para guardar o jardim devia procurar mantê-lo a todo o custo.

    7. Onde é que viviam ?
    → Perto do mar
    8. Que sugeriu a cadela ?
    → que fossem para uma terra do interior, longe do mar.
    9. Por que é que é estranho ?
    → vão transtornar a vida deles por causa do marinheiro
    10. Como levaram o marinheiro ?
    → pela trela, açaimado
    11. Quem é que encontraram no caminho ? 
    → um cão da Estrela, da Serra
    12. Qual era a particularidade do marinheiro ?
    → era esperto, inteligente, tinha uma filosofia das paisagens...
    13. O que é que acabou por acontecer ao marinheiro ?
    → esgana, morreu
    14. Que decidiram então os donos ? Porquê ?
    → não voltar a ter outro marinheiro - ralações demais. E ficaram no interior...
    15. Quem diz : "...tinha razão" ? 
    → O narrador. Que exprime a sua opinião...
    16. A que género literário se aparenta o conto ? Porquê ?
    → Uma fábula. Personificação,inversão dos papéis, forma de absurdo...

  • L'auteur

    Herberto Helder

    "Herberto Helder de Oliveira nasceu em Funchal, São Pedro na ilha da Madeira, no dia 23 de Novembro de 1930. Faleceu em Cascais, a 24 de Março de 2015. Foi um poeta português, considerado por alguns como o "maior poeta português da segunda metade do século XX".

    Frequentou a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trabalhado em Lisboa como jornalista, bibliotecário, tradutor e apresentador de programas de rádio. Viajou por diversos países da Europa e foi redactor da revista Notícia em Luanda, Angola, em 1971.
    É considerado um dos mais originais poetas de língua portuguesa. Era uma figura misantropa, e em torno de si paira uma atmosfera misteriosa. Recusou homenagens, prémios ou condecorações e negou-se a dar entrevistas ou a ser fotografado. Em 1994 foi o vencedor do Prémio Pessoa, que recusou.
    A sua escrita começou por se situar no âmbito de um surrealismo tardio.
    No seu livro "Os Passos em Volta", através de vários contos, sugere as viagens deambulatórias de uma personagem por entre cidades e quotidianos, colocando ao mesmo tempo incertezas acerca da identidade própria de cada ser humano...

    Fonte : Wikipédia (adaptado)

  • Compétences
    A2 - Voir et écouter - 29

    Écouter : je peux comprendre des expressions et un vocabulaire très fréquent relatifs à ce qui me concerne de très près, (par exemple moi-même, ma famille, les achats l’environnement proche le travail). Je peux saisir l’essentiel d’annonces, de messages simples et clairs (A2).
    [29] Je peux généralement comprendre le sujet d’une discussion claire et lente que j’écoute.

     
    A2 - Lire - 41

    Lire : je peux lire des textes courts et très simples. Je peux trouver une information particulière, prévisible dans des documents courte et simples (A2).
    [41] Je peux identifier des informations précises dans des documents écrits simples et courts, décrivant des événements.

     
    B1 - Voir et écouter - 64

    Écouter : je peux comprendre des points essentiels quand un langage clair et standard est utilisé et s’il s’agit de sujets familiers. Je peux comprendre l’essentiel d'un film portant sur des sujets courants, qui m’intéressent à titre personnel si l’on parle d’une façon relativement claire et distincte (B1).
    [64] Je peux comprendre un grand nombre de films dans lesquels l’image et l’action portent l’histoire, et où l’intrigue est simple et directe et le discours clair. 

Era um cão que tinha um marinheiro. O cão perguntou à esposa, que se pode fazer de um marinheiro? Põe-se de guarda ao jardim, respondeu ela. - Não se deve deixar um marinheiro à solta no jardim, que fica perto do mar. Um marinheiro é uma criatura derivada por sufixação, e pode recear-se o poder do elemento base: o radical mar. Em vez de guardar o jardim, ele acabaria por fugir para o mar. - Deixá-lo fugir, disse a esposa do cão. Mas ele não estava de acordo. Que um facto deveria ser esse mesmo facto até ao limite do possível: quem possui um marinheiro para guardar o jardim deve procurar mantê-lo a todo o custo, assim como o cão, ou o casal de cães, que não tiver um marinheiro deve não tê-lo até a isso ser absolutamente forçado. - Nesse caso, só nos resta ir para uma terra do interior, longe do mar, disse a cadela. E então foram para o interior, levando pela trela o marinheiro açaimado1. Durante o percurso viram muitas paisagens. O marinheiro estava espantado com as paisagens que podem existir longe do mar. Fez diversas observações a esse respeito, provocando o risonho latido dos cães que, pela sua parte, concordavam em que tinham um marinheiro muito inteligente. - Nem todos os cães têm a nossa sorte, disse o cão, pois conheço vários cães que são donos de vários marinheiros estúpidos. Iam por isso bastante contentes e diziam, a outros cães com quem se cruzavam, que possuíam um marinheiro invulgarmente esperto. - Ele tem uma filosofia das paisagens, dizia o cão. Um cão da Estrela, que encontraram naturalmente perto da Serra da Estrela, perguntou-lhes se o marinheiro gostava de sardinhas. - Adora-as, respondeu a cadela. - Isso não me admira nada, disse o indígena. E na verdade não parecia admirado. Quando chegaram ao mais interior possível, alugaram uma casa com um jardim e puseram o marinheiro a guardá-lo. - Guarda-o, disseram. Deixaram-lhe ao lado uma dúzia de latas de sardinhas e foram para dentro de casa. Durante sete dias e sete noites, o marinheiro reflectiu sobre as paisagens do interior e comeu as sardinhas de conserva. Depois foi atacado de esgana2, e começou a andar em círculos cada vez mais apertados no meio do jardim. Os cães observavam-no da janela e viam que o seu marinheiro perdia as forças a cada volta. Um dia, ao anoitecer, caiu para o lado resfolegando. - O mar, ouviram-no dizer. Então foram para dentro, e dormiram. De manhã vieram cedo ao jardim e verificaram que o marinheiro estava morto. - Era um marinheiro tão esperto, disse a cadela. - Pois era, disse o cão, foi pena. E enterraram o marinheiro debaixo de uma acácia. Mas como já se haviam habituado à vida do interior, não regressaram ao litoral. Nunca mais tiveram marinheiros. - Para quê?, dizia a cadela, ralações já existem de sobra. E quem se atreve a negar que ela tinha razão? concerne de très près, (par exemple moi-même, ma famille, les achats l’environnement proche le travail) Je peux saisir l’essentiel d’annonces, de messages simples et clairs [29] Je peux généralement comprendre le sujet d’une discussion claire et lente que j’écoute A2 [41] (Lire) Niveau A2 - Lire : je peux lire des textes courts et très simples Je peux trouver une information particulière, prévisible dans des documents courte et simples B1 [64] (Voir et écouter) Niveau B1 - Écouter : je peux comprendre des points essentiels quand un langage clair et standard est utilisé et s’il s’agit de sujets familiers Je peux comprendre l’essentiel d'un film portant sur des sujets courants, qui m’intéressent à titre personnel si l’on parle d’une façon relativement claire et distincte [64] Je peux comprendre un grand nombre de films dans lesquels l’image et l’action portent l’histoire, et où l’intrigue est simple et directe et le discours clair [41] Je peux identifier des informations précises dans des documents écrits simples et courts, décrivant des événements

Tags: Niveau A2 Niveau B1 Littérature Conte Poésie Niveau B2 Notion : L’art de vivre ensemble Notion : Espaces et échanges

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