Velha história

Écrit par Angelina Caussé. Publié dans Séquences

Um conto de Mário Quintana sobre a felicidade, a amizade, o amor, a liberdade, a origem, a tristeza...

  • Vocabulário ilustrado
     
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    o iodo

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    a trela
    o cão
    a cadela
    os cães
    o cachorro
    o cachorrinho

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    o peixe
    o anzol
    a minhoca
    pescar


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    a haste flexível
    o cotonete


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    o pincelo
    pincelar
    a ferida
    a garganta

     

     

     

     

     

     

  • Descrever oralmente uma imagem do filme « Velha história ».

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  • Synopsis - Sinopse

    Um filme de animação

    Velha História...

    Um dia, ao pescar na beira de um rio, um homem pega um peixe. A partir de um gesto de afeto do pescador, os dois desenvolvem uma linda amizade que é admirada por todos na cidade... Do poema de Mário Quintana.

    Velha História : Le Film - O Filme

    Fiche technique - Ficha técnica

    Título do filme : VELHA HISTÓRIA
    Género : Animação
    Directora : Cláudia Jouvin
    Pais : Brasil
    Local de produção : Rio de Janeiro
    Roteiro : Um poema de Mário Quintana
    Ano : 2004
    Duração : 6 minutos
    Cor : Colorido
    Bitola : 35mm

    Mort de Mário Quintana

    Vie et œuvre de Mário Quintana

  • Escute agora novamente o texto e complete-o. 

     

    Poema em prosa “Velha História”

    Era uma vez um homem que estava ............................... , Maria. Até que apanhou um ............................... ! Mas o peixinho era tão pequenininho e ............................... , e tinha um azulado tão indescritível nas ............................... , que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com ............................... a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no ............................... traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então, ficaram ............................... . Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um ............................... . Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo ............................... . Como era tocante vê-los no « 17 » ! o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a ............................... de fumegante moca, com a outra lendo o ............................... , com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava ............................... por um canudinho especial... Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à ............................... do rio onde o segundo dos dois fora ............................... . E eis que os olhos do primeiro se encheram de ............................... . E disse o homem ao peixinho : « Não, não me assiste o direito de te guardar ............................... . Por que roubar-te por mais tempo ao ............................... do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia ............................... ? Não, não e não ! Volta para o seio da tua ............................... . E viva eu cá na terra sempre triste !... » Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o ............................... , atirou o peixinho n’água. E a água fez ............................... , que foi depois serenando, serenando... até que o peixinho morreu ............................... ...
    (Quintana, 1976, p. 105)

  • Questions

    Responda às perguntas seguintes :

    1. O que estava a fazer o homem à margem do rio ?
    2. O que fez quando tirou o anzol da garganta do peixe ? Porquê ?
    3. Onde é que o homem guardou o peixinho ?
    4. Como é que o homem considerava o animalzinho ?
    5. O que fazia o pescador no café ? E o peixe ? É uma situação realista ?
    6. O homem decidiu voltar à beira do rio com o peixe. Porquê ? Para quê ?
    7. Que fez então o homem ?
    8. O que aconteceu ao animal ?
    9. Por que é que é estranho ?
    10. Como explica o título ?
    Bonus
    11. Trata-se de uma « velha história » de ........................... .
    12. Preferiu o vídeo ou o poema de Mário Quintana ? Por que razão ?

    - Pistes pour les réponses

    1. O que estava a fazer o homem à margem do rio ?
    → estava pescando / estava a pescar
    2. O que fez quando tirou o anzol da garganta do peixe ? Porquê ?
    → Pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Tinha pena.
    3. Onde é que o homem guardou o peixinho ?
    → Guardou-o no bolso traseiro das calças.
    4. Como é que o homem considerava o animalzinho ?
    → ... que nem um cachorrinho. Como um amigo que o acompanhava por toda a parte.
    5. O que fazia o pescador no café ? E o peixe ? É uma situação realista ?
    → Bebia café (moca), fumava, lia o jornal e cuidava do peixe. O peixe, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial. Não é realista. O animal é personificado. Como num conto.
    6. O homem decidiu voltar à beira do rio com o peixe. Porquê ? Para quê ?
    → O peixe era triste. O homem decidiu "libertar" o peixinho. Para que estivesse livre de viver no seu universo.
    7. Que fez então o homem ?
    → Atirou o peixinho na água.
    8. O que aconteceu ao animal ?
    → Afogou-se.
    9. Por que é que é estranho ?
    → Porque um peixe, logicamente, sabe nadar. Talvez tenha perdido essa faculdade. Ou então deixou-se morrer por causa da  tristeza ligada à separação dos dois amigos...
    10. Como explica o título ?
    → A velha história é a ilustração da separação entre os seres que se amam. A história eterna das consequências dolorosas que, por vezes, conduzem até à morte.

    Bonus

    11. Trata-se de uma « velha história » de ...
    →....amor ou amizade.. .
    12. Preferiu o vídeo ou o poema de Mário Quintana ? Por que razão ?
    → Isso depende de cada sensibilidade... O filme de animação apoia-se num poema-conto em que cada palavra contribui para dar uma existência "autênctica" a um encontro e a uma cumplicidade improváveis. O filme, na sua simplicidade, com a ajuda de uma trilha sonora comovente, respeita com fidelidade a tenção do autor.

  • Lire le poème

    Poema em prosa “Velha História” 

    Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho ! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então, ficaram inseparáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelas calçadas. Pelos elevadores. Pelo café. Como era tocante vê-los no « 17 » ! o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial... Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho : « Não, não me assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira ? Não, não e não ! Volta para o seio da tua família. E viva eu cá na terra sempre triste !... » Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando... até que o peixinho morreu afogado...

    (Mário Quintana, 1976, p. 105)

  • Lire l'autoportrait de l'auteur

    Autoretrato

    " Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

    Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau ; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.

    Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?

    Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras."

    por Mário Quintana.

  • Écouter en lisant

    Relisez le texte en l'écoutant, déclamé par un étudiant brésilien.

    Repérez et notez les différences entre le texte écrit et le texte dit.

    " Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade. Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau ; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.
    Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras."

    por Mário Quintana.

  • Exercices de réécriture et de traduction

    Réécriture - Conjugaison

    Conjugaison / Pronoms sujets et pronoms compléments  

    1. Transcrire l’autoportrait :
         - à la 2ème personne du singulier.
         - à la 3ème personne du singulier.

     

    Traduction

    Emploi ou omission des pronoms personnels sujets  

    2. Traduire 1, 2, 3 ou 4 des paragraphes du texte. Emploi ou omission des pronoms personnels sujets

    " Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas : ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade.

    Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau ; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu.

    Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo. Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros ?

    Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras."

    por Mário Quintana.

     

  • Compétences
    A2 - Voir et écouter - 29

    Écouter : je peux comprendre des expressions et un vocabulaire très fréquent relatifs à ce qui me concerne de très près, (par exemple moi-même, ma famille, les achats l’environnement proche le travail). Je peux saisir l’essentiel d’annonces, de messages simples et clairs (A2).
    [29] Je peux généralement comprendre le sujet d’une discussion claire et lente que j’écoute.

     
    A2 - Lire - 41

    Lire : je peux lire des textes courts et très simples. Je peux trouver une information particulière, prévisible dans des documents courte et simples (A2).
    [41] Je peux identifier des informations précises dans des documents écrits simples et courts, décrivant des événements.

     
    B1 - Voir et écouter - 64

    Écouter : je peux comprendre des points essentiels quand un langage clair et standard est utilisé et s’il s’agit de sujets familiers. Je peux comprendre l’essentiel d'un film portant sur des sujets courants, qui m’intéressent à titre personnel si l’on parle d’une façon relativement claire et distincte (B1).
    [64] Je peux comprendre un grand nombre de films dans lesquels l’image et l’action portent l’histoire, et où l’intrigue est simple et directe et le discours clair. 

T-velha_historia.jpgVocabulário ilustrado o iodo a trela o cão a cadela os cães o cachorro o cachorrinho o peixe o anzol a minhoca pescar a haste flexível o cotonete o pincelo pincelar a ferida Descrever uma imagem do filme « Velha história » Synopsis - Sinopse Um filme de animação Um dia, ao pescar na beira de um rio, um homem pega um peixe A partir de um gesto de afeto do pescador, os dois desenvolvem uma linda amizade que é admirada por todos na cidade Do poema de Mário Quintana Le Film - O Filme Fiche technique - Ficha técnica Velha História : uma curta metragem premiada Título do filme : VELHA HISTÓRIA Género : Animação Directora : Cláudia Jouvin Pais : Brasil Local de produção : Rio de Janeiro Roteiro : Um poema de Mário Quintana Ano : 2004 Duração : 6 minutos Cor : Colorido Bitola : 35mm Mort de Mário Quintana Vie et oeuvre de Mário Quintana Ecouter - Ecrire Ouvir - Completar Escute agora novamente o texto e complete-o Poema em prosa “Velha História” Era uma vez um homem que estava , Maria Até que apanhou um ! Mas o peixinho era tão pequenininho e , e tinha um azulado tão indescritível nas , que o homem ficou com pena E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com a garganta do coitadinho Depois guardou-o no traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente E desde então, ficaram Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um Pelas calçadas Pelos elevadores Pelo Como era tocante vê-los no « 17 » ! o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a de fumegante moca, com a outra lendo o , com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silenciosó e levemente melancólico, tomava por um canudinho especial Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à do rio onde o segundo dos dois fora E eis que os olhos do primeiro se encheram de E disse o homem ao peixinho : « Não, não me assiste o direito de te guardar Por que roubar-te por mais tempo ao do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia ? Não, não e não ! Volta para o seio da tua E viva eu cá na terra sempre triste ! » Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o , atirou o peixinho n’água E a água fez , que foi depois serenando, serenando até que o peixinho morreu (Quintana, 1976, p 105) Perguntas Comprendre - Compreender Responda às perguntas seguintes : 1 O que estava a fazer o homem à margem do rio ? 2 O que fez quando tirou o anzol da garganta do peixe ? Porquê ? 3 Onde é que o homem guardou o peixinho ? 4 Como é que o homem considerava o animalzinho ? 5 O que fazia o pescador no café ? E o peixe ? É uma situação realista ? 6 O homem decidiu voltar à beira do rio com o peixe Porquê ? Para quê ? 7 Que fez então o homem ? 8 O que aconteceu ao animal ? 9 Por que é que é estranho ? 10 Como explica o título ? Bonus 11 Trata-se de uma « velha história » de 12 Preferiu o vídeo ou o poema de Mário Quintana ? Por que razão ? Lire le poème Poema em prosa “Velha História” Era uma vez um homem que estava pescando, Maria Até que apanhou um peixinho ! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente E desde então, ficaram inseparáveis Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho Pelas calçadas Pelos elevadores Pelo café Como era tocante vê-los no « 17 » ! o homem, grave, de preto, com uma das mãos segurando a xícara de fumegante moca, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando do peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas E disse o homem ao peixinho : « Não, não me assiste o direito de te guardar comigo Por que roubar-te por mais tempo ao carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira ? Não, não e não ! Volta para o seio da tua família E viva eu cá na terra sempre triste ! » Dito isso, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água E a água fez redemoinho, que foi depois serenando, serenando até que o peixinho morreu afogado (Mário Quintana, 1976, p 105) L’auteur - Autoportrait de Mário Quintana Autoretrato de Mário Quintana L’auteur - Autoportrait de Mário Quintana Autoretrato de Mário Quintana Lire " Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906 Creio que foi a principal coisa que me aconteceu E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade Idades só há duas : ou se está vivo ou morto Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade Nasci do rigor do inverno, temperatura : 1 grau ; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro – o mesmo tendo acontecido a Sir Isaac Newton ! Excusez du peu Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim Dizem que sou modesto Pelo contrário, sou tão orgulhoso que nunca acho que escrevi algo à minha altura Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação Um poeta satisfeito não satisfaz Dizem que sou tímido Nada disso ! sou é caladão, instrospectivo Não sei por que sujeitam os introvertidos a tratamentos Só por não poderem ser chatos como os outros ? Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de fármacia durante 5 anos Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Veríssimo – que bem sabem (ou souberam), o que é a luta amorosa com as palavras " por Mário Quintana Écouter en lisant " Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906 Creio que foi a principal coisa que me aconteceu E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo Bem ! eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão Há ! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas Aí vai ! Estou com 78 anos, mas sem idade Idades só há duas : ou se está vivo ou morto Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a eternidade Expression écrite - Compréhension Exercices de réécriture et de traduction Réécriture Conjugaison / Pronoms sujets et pronoms compléments 1 Transcrire l’autoportrait à la 2ème personne du singulier à la 3ème personne du singulier Traduction 2 Traduire 1, 2, 3 ou 4 des paragraphes du texte Emploi ou omission des pronoms personnels sujets Compétences A2 [29] (Voir et écouter) Niveau A2 - Écouter : je peux comprendre des expressions et un vocabulaire très fréquent relatifs à ce qui me concerne de très près, (par exemple moi-même, ma famille, les achats l’environnement proche le travail) Je peux saisir l’essentiel d’annonces, de messages simples et clairs [29] Je peux généralement comprendre le sujet d’une discussion claire et lente que j’écoute A2 [41] (Lire) Niveau A2 - Lire : je peux lire des textes courts et très simples Je peux trouver une information particulière, prévisible dans des documents courte et simples B1 [64] (Voir et écouter) Niveau B1 - Écouter : je peux comprendre des points essentiels quand un langage clair et standard est utilisé et s’il s’agit de sujets familiers Je peux comprendre l’essentiel d'un film portant sur des sujets courants, qui m’intéressent à titre personnel si l’on parle d’une façon relativement claire et distincte [64] Je peux comprendre un grand nombre de films dans lesquels l’image et l’action portent l’histoire, et où l’intrigue est simple et directe et le discours clair [41] Je peux identifier des informations précises dans des documents écrits simples et courts, décrivant des événements

Tags: Niveau A2 Niveau B1 Littérature Conte Arts Cinéma Notion : L’art de vivre ensemble

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